Duas décadas depois de uma travessia no deserto do Saara, feita com uma garota 15 anos mais jovem, um jornalista relembra a história e decide narrá-la após descobrir, casualmente, que sua companheira morreu. A ideia do protagonista é, de alguma forma, reter a felicidade desse encontro na memória. O romance é um acerto de contas emocionado desse jornalista-narrador para com a memória de Cláudia, de quem ele guarda poucas fotografias, mas numerosas e intensas lembranças.
Durante quarenta dias os dois atravessaram as paisagens áridas do continente africano. Ele é racional e impetuoso. Ela, impulsiva e imatura, mas também espontânea e encantadora. Eles partem de Lisboa num jipe abastecido de comida enlatada, alguma bebida alcoólica, uma bússola e um mapa militar dos anos 1950. Os demais integrantes da excursão vão pelo Marrocos, mas o casal entra África pela Argélia, pois dependem de uma licença de filmagem expedida em Argel para que o jornalista possa captar imagens para revistas e uma emissora de televisão.
A relação entre os dois aventureiros, no início bem distante, se intensifica ao longo da viagem. A intimidade avança para um sentimento amoroso, que nasce da cumplicidade naquela situação adversa: solidão, viagem, silêncio, paisagens inóspitas, e dá o tom à história.
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