Sergio Miceli dedica-se neste livro a esmiuçar as táticas e estratégias adotadas pela Igreja católica ao enfrentar os desafios da separação do Estado durante a República Velha.
Ao longo da Colônia e do Império, a Igreja era praticamente parte do Estado, com direito a verbas e interferências do governo. Com a separação trazida pela República, a Igreja perdeu as verbas e ganhou liberdade de ação. Miceli mostra como os religiosos cuidaram de manter relações próximas com as elites políticas do país, combateram os movimentos cismáticos (Canudos, Juazeiro e Contestado) e tornaram-se os grandes empresários do ensino privado.
O recurso às fontes primárias produzidas pela Igreja para subsidiar os processos de ordenação revela a origem social e as qualidades exigidas dos candidatos às posições de mando na hierarquia católica. Neste livro, Miceli mostra como a estrutura montada e aperfeiçoada ao longo da República Velha foi essencial para a sobrevivência e para o aumento do poderio católico até a chegada do Estado Novo.