José Carlos Sussekind é há décadas o engenheiro calculista preferido de Oscar Niemeyer. É quem o acompanha no Brasil e no exterior e nesse período assinou os cálculos que permitiram pôr e manter em pé as principais obras do "Arquiteto do Século", nas quais o arrojo arquitetônico que espanta e encanta a todos pressupõe a perícia e a inventividade de um calculista extraordinário.
Mas, além de engenheiro, Sussekind é homem de espírito, que cultiva bons livros e boas idéias. Seu campo de interesses se estende pela história, pela política, pela filosofia. Sua relação com Niemeyer, ao longo dos anos, transformou-se em amizade, regada a longos e frequentes papos além-trabalho. Ele mesmo explica, ao abrir este livro de cartas, sua gênese.
Escreve ele que, em fevereiro de 2001, ouviu Oscar Niemeyer "lamentar não ter no passado mantido correspondência regular com Joaquim Cardozo, poeta, dramaturgo, intelectual brilhante, que fora seu grande calculista e amigo. Num impulso, ele me propôs trocarmos cartas acerca dos temas (sua arquitetura e minha engenharia) em que, há mais de 30 anos, vimos trabalhando juntos.
Em outras palavras, sua proposta foi a de exercitar, comigo, o registro escrito que poderia (e deveria) ter sido feito entre ele e Cardozo, 50 anos atrás. Em seguida, enviei-lhe a primeira carta, e da sequência resultou este livro."
São 56 cartas trocadas de março de 2001 até o início de 2002, sobre os assuntos mais diversos: literatura, filosofia, a atualidade política e, como não podia deixar de ser, arquitetura, com largo espaço para sua história, e engenharia. O conjunto é ilustrado com desenhos feitos por Niemeyer especialmente para o livro.