A obra de Benedito Nunes é marcada pelo diálogo entre literatura e filosofia. Atento investigador do fazer poético, o crítico, filósofo e professor paraense comemora seus 80 anos com a reunião de alguns dos pontos altos de sua vasta produção, que abarca desde a filosofia de Nietzsche, Spinoza e Wittgenstein até os mais recentes desenvolvimentos da literatura brasileira contemporânea.
Entusiasta da hermenêutica de Paul Ricoeur, de quem foi aluno durante a pós-graduação na França, Nunes tem se dedicado a iluminar aspectos fundamentais dos autores e obras analisadas através de contundentes interpretações.
"A Clave do Poético", organizado por Victor Sales Pinheiro e com prefácio de Leyla Perrone-Moisés, divide-se em duas partes tematicamente orientadas. Na primeira, a faceta de filósofo e teórico da literatura se dedica à investigação epistemológica e à historiografia literária.
Em seguida, textos monográficos abordam autores capitais como Carlos Drummond de Andrade,
T. S. Eliot, Antônio Vieira e Clarice Lispector (cuja presença marcante é lembrada numa histórica entrevista com o autor).
O livro, entretanto, não negligencia o rico ambiente cultural da Belém do jovem Benedito Nunes, evocando em registro autobiográfico alguns episódios decisivos de sua formação intelectual. Conforme a lição de Guimarães Rosa, em "A Clave do Poético" o local e o universal dialogam harmoniosamente.
Leia mais
Crítico e filósofo Benedito Nunes leva R$ 100 mil com prêmio Machado de Assis