Uma autobiografia romanceada que o Morris West, um dos mais aclamados escritores australianos, escreveu no fim de sua vida e na qual o autor trata a si mesmo como protagonista de uma narrativa. A cada capítulo, o escritor que tinha então 80 anos, revela momentos marcantes de sua vida, como sua oposição à guerra do Vietnã, em 1965, a sua admiração pelo filósofo italiano Giordano Bruno, queimado como herege no século 16 e também relembra os tempos que viveu como monge e como soldado.
Porém, grande parte da trama se concentra na peregrinação pessoal do escritor australiano como católico durante o século 20, época que tantas novas complexidades trouxe aos homens de fé, como: Por que devemos perdoar? Por que as hierarquias da Igreja são tão diferentes da proposta de Jesus? Por que crianças são vítimas da violência? E todas essas questões são complementadas com trechos de suas mais de 20 obras, a grande maioria ainda inédita no Brasil.
No magistral último capítulo, o autor já vislumbra a morte com inabalável otimismo. "Eu sou um feliz esbanjador dos dias de ouro que me foram concedidos", escreveu West, que faleceu dois anos após a publicação de "Do Alto da Montanha".