Ao narrar a história de duas mulheres que viveram a séculos de distância e a herança ancestral que as une, a autora combina história, arte e imaginação de forma única.
Naquele dia, os cabelos de Isabelle mudaram de cor com a mesma rapidez que um pássaro troca a plumagem para atrair a companheira. Após receber uma estátua da Virgem, o nicho sobre a porta da Igreja em que será colocada a imagem é pintado de um azul tão intenso quanto o céu da tarde. Os raios solares iluminam o azul com veemência, tocando os cabelos da jovem Isabelle e tingindo-os de um cobre que permaneceria mesmo depois de o sol ter ido embora.
A partir de então, a menina passa a ser conhecida por La Rousse (A Ruiva) e precisa esconder as longas mechas vermelhas sob uma touca --envergonhada por aquele traço que aponta uma inusitada ligação com a Virgem Maria e a faz ser considerada suja, contaminada, uma feiticeira.
Quase cinco séculos depois, Ella Turner, uma mulher independente de 28 anos, sai dos Estados Unidos e vai morar na França com o marido. Lá começa a ter aulas de francês, perde o otimismo, tenta engravidar e procura uma solução para não continuar a se sentir uma estranha no novo país.
Começa então a ser acometida por pesadelos inexplicáveis, repletos de versos franceses dos quais desconhece a origem, tingidos de um azul vívido, ao mesmo tempo claro e escuro.
Decidida a aprofundar os conhecimentos sobre a própria família, Ella passa a pesquisar livros e documentos antigos. À medida que o passado vai sendo revelado, o cabelo de Ella vai ficando ruivo como o de Isabelle. Quais as ligações entre essas duas mulheres? O que esses sonhos significam? Ella parte então em busca de respostas e resolve conhecer mais sobre a própria família.