"Eu, Prisioneira das Farc" é o relato comovente de Clara Rojas sobre o período em que esteve sequestrada por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc). O livro narra a vida em cativeiro, as tentativas de fuga, a relação com Ingrid Betancourt, o nascimento e separação de seu filho, até o momento de sua libertação.
Clara era diretora de campanha de Ingrid Betancourt para a presidência da Colômbia e no início de 2002 decidiu acompanhar sua candidata - e amiga - em uma visita política na cidade de San Vicente del Caguán. Apesar de saber que não era um trajeto seguro, elas não imaginavam que aquele seria o início de seis anos nas mãos das Farc.
Segundo a autora, "Um sequestrado tem duas opções: deixar-se morrer ou lutar por sua vida. Quando se opta por sobreviver e se descartam a morte e a loucura, é preciso trabalhar diariamente sem esmorecer para conseguir".
Em meio a essa batalha diária, ora com tentativas de fuga ora com períodos de readaptação, greves de fome e mudanças de acampamentos, Clara também teve de lutar por seu filho. Em abril de 2004, depois de uma gestação com comida restrita e nenhum acompanhamento médico, Emmanuel nasceu graças a um enfermeiro das Farc que realizou uma arriscada cirurgia cesariana, em plena selva.
Oito meses após o parto, a autora foi separada de seu filho, voltando à solidão, já que a amizade com Ingrid fora desgastada ao longo do sequestro e conforme afirma; as "relações entre os sequestrados foram extremamente tensas durante a maior parte do cativeiro".
Agora em liberdade, Clara conta sua história e para os que perguntam sobre as mudanças causadas por essa experiência traumática, responde: "... em parte continuo sendo a mesma, só que com uma cicatriz no ventre e uma marca bem funda no pensamento e no coração, que espero conseguir apagar com o passar dos anos".
Narrado em primeira pessoa "Eu, Prisioneira das Farc" apresenta a dura realidade da guerrilha colombiana. Os medos, as incertezas, a solidão, a fé e a esperança que só podem ser descritos por quem perdeu a liberdade e lutou para recuperar o controle de sua vida.