Uma análise da obra de Liszt que, apesar da importância, têm sido analisada com certo desdém pela crítica moderna. Durante muito tempo, teve-se do compositar a imagem pré-fabricada, transmitida mecanicamente de um musicólogo ou historiador para outro, de que ele não tinha passado de um pianista que também compunha.
Mas o autor mostra que esse estado de coisas deve pertencer ao passado. Franz Liszt é o homem de gênio que praticou os mais diversos gêneros musicais, sempre de uma maneira muito livre, sempre repensando as estruturas tradicionais com a mais desenvolta criatividade.
É o homem cujo gênio não excluía um quase vulgar exibicionismo; que misturava sensualidade e misticismo; que era de uma generosidade assombrosa, mas podia ser, ao mesmo tempo, vaidoso, arrogante e caprichoso.
Mas que, sobretudo, era de uma incansável dedicação à tarefa, por vezes árdua, de impor ao gosto do público o talento de seus contemporâneos: Chopin, Berlioz, Schumann e, principalmente, Richard Wagner. Era profundamente religioso, mas a sua visão da missão da Igreja aproxima-se muito do catolicismo progressista de hoje em dia.
Quando Liszt morreu, em 1886, era o último sobrevivente de uma grande geração romântica formada por Berlioz, Chopin, Schumann, Mendelssohn e Wagner.