Ainda garoto, o esquivo Lujin revela-se prodigioso enxadrista. À medida que o menino cresce, no entanto, seu talento deixa de ser alvo de atenções. Abandonado pelo tutor, separado do pai pela guerra e pelas viagens que faz para jogar, Lujin tem de viver em um mundo que mal compreende.
Após sofrer um colapso durante uma partida crucial e passar uma temporada num sanatório, Lujin retoma o cotidiano através da lógica do jogo de xadrez, buscando antecipar-se a um oponente imaginário. Tomado pela necessidade de se defender, o personagem aproxima-se de modo angustiante da loucura, do alheamento e torna ainda mais aguda sua misantropia.
Inscrito na melhor tradição da literatura russa, repleta de atmosferas soturnas e protagonistas atormentados, o romance dialoga com temas caros à literatura européia da primeira metade do século 20, como a necessidade dos deslocamentos em tempos de catástrofe e seu impacto sobre a constituição da identidade individual e coletiva.