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O que saiu na imprensa
José Anderson Sandes
Lira Neto diz que seu livro foi baseado em dois grandes conjuntos de fontes. O primeiro, investigado na Cúria do Crato. Ele teve acesso a 900 cartas trocadas entre os principais personagens da história - Padre Cícero, o bispo Dom Joaquim, autoridades eclesiásticas de Roma e a Nunciatura no Brasil. Ele teve acesso também a um outro importante conjunto de documentos que se encontram sob a guarda do arquivo secreto do Vaticano. "Tive acesso a fontes generosas que, sem elas, jamais este livro teria saído", afirma. Lira teve ajuda, ainda, dos dois grandes pesquisadores de Padre Cícero e Juazeiro do Norte: Renato Casimiro, a quem o livro é dedicado, e Daniel Walker.
"Trata-se de um livro eminentemente jornalístico, de pesquisa e muita investigação", assinala Lira.
O autor não defende claramente nenhuma posição, não faz juízo de valor - "Deixo o livro aberto para as conclusões dos leitores", enfatiza -, mas acredita que a reabilitação de Padre Cícero está muito próxima.
Lira o define como um homem com um pé em cada mundo. O primeiro plantado na Igreja ritualizada, nas lições ventiladas pelos mestres do seminário da Prainha; o outro imerso na religiosidade popular dos sertões. "Mesmo tendo sido educado no seminário, jamais deixou de ser um homem simples, um sertanejo típico, com uma visão de mundo calcada no maravilhoso e no fantástico".
Lira confirma que Cícero é um personagem dos mais complexos, não havendo uma forma única para defini-lo. "Ele era um homem astuto, sagaz, e sobreviveu a todos os adversários, sejam religiosos, como as autoridades eclesiásticas ou os políticos".
Sylvia Colombo
O biógrafo diz querer desconstruir a imagem de místico caricato do líder. Considera-o um homem inteligente e sagaz ao fazer alianças. E muito, mas muito conservador. Era obcecado por reconstituir famílias desagregadas. Posicionava-se contra o samba e a cachaça. O tom de seus discursos, muitas vezes, era apocalíptico.
O autor chama a atenção para os dois universos diferentes que o formaram. "Tinha um pé no universo sertanejo, mas carregava a rigidez do seminário em que estudou. Não era culto, mas lia livros de autores ocultistas. Tinha dificuldade na articulação das ideias e concebia o mundo com simplicidade.
Mas era hábil nas relações e, com isso, manteve-se." Lira Neto trabalhou mais de dez anos no jornal "O Povo" como repórter e, depois, como ombudsman da publicação. Também é autor das biografias "Maysa" e "Castello".
Conta que sempre sonhou em escrever a história do Padre Cícero, mas que achava o personagem "grande demais". A perspectiva de mexer com documentos inéditos o estimulou a ir em frente com o projeto. O jornalista não tem dúvida de que Cícero será absolvido.
Considera que o interesse da Igreja Católica no processo é o de deter o avanço da Igreja Evangélica no Brasil ao atrair para si um ícone popular que costuma levar mais de 2,5 milhões de peregrinos todos os anos a Juazeiro do Norte.
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