Wilson Bueno retorna ao seu habitat literário com este volume.
"Tento uma intervenção, a mais radical possível, no coração molecular da escrita. Nada mais essencialmente narrativo do que a fábula, o "era uma vez", princípio, meio e fim de toda história que se preze", diz.
Mas é claro que Bueno não resistiria a subverter a moral da história e aqui reside toda a graça dessas "refabulações", que já foram a voz, um dia, de Esopo e La Fontaine.
Os macacos, sapos, cobras e ratos de Bueno nos lembram os personagens da vida real, embora suas falas tenham sido levadas ao cúmulo do ridículo por meio de recursos estilísticos.
Há um porém: tudo o que dizem os animais dessa floresta imaginária é anti-ético ou no mínimo bizarro, assim como era de se esperar da linguagem dos irracionais. Mas somente da dos irracionais.