Dono de uma sensibilidade poética única, o artista plástico italiano acrescenta cores e emoção ao cotidiano massacrante da metrópole. Em "São Paulo: Trânsitos", lança-se o olhar sobre esta pesarosa instituição da cidade. Carros, motos e pedestres numa sinfonia apocalíptica.
O livro é a chance de ver São Paulo de um outro modo: de uma perspectiva estrangeira. De inúmeras perspectivas de um mesmo percurso. De um olhar italiano, nasce uma vibração. E o trânsito é essa vibração. Uma explosão em cores.
Apresentados por Carlos Moraes, os pequenos textos e as imagens de Vincenzo Scarpellini ganham vida. O artista mostra-se sensível a todos os que passam e são passados. Nada é uma coisa e mesmo as coisas são humanizadas. Aqui há um caminho que todos percorremos. E que deve ser revisto.
"Entidade elástica capaz de se estender da rua para o bairro e deste para a cidade inteira: visto de fora, o trânsito desliza, vira, é arrastado, suave ou turbulentamente. Vivido por dentro, significa má-postura, desconforto nervoso e muscular: a luta para manterem-se vivos faz dos motoristas criaturas que só percebem nos outros presenças hostis, alvos para buzina".