"O Serelepe" é o retrato de um homem inquieto, capaz de sempre renovar-se, como revela o motivo final que o levou a deixar suas memórias em livro: o nascimento de Ruy Quintino, que fez dele pai pela quinta vez, aos 73 anos. Assim, com o sucesso nos negócios e o filho recém-nascido, o livro de Ruy ganha contornos de uma grande jornada pessoal. Um retrato da vida como ela é, com um desfecho duplamente feliz, no trabalho e na vida pessoal.
Na autobiografia de Ruy, as lições de administração se misturam às lições de vida e ao relato de outras pessoas que dão à sua história múltiplas faces. Dela emergem tanto a figura do profissional determinado como a do transformador de vidas. No comando da Saraiva, esteve à frente do processo de profissionalização da empresa, da sua conversão em companhia de capital aberto nos moldes contemporâneos e da implantação no Brasil da Mega Store. Cerca de 30% das livrarias da rede seguem hoje o conceito da livraria completa.
Ruy fez a companhia atravessar as turbulências econômicas ao longo de décadas e firmar-se como um caso de sucesso de uma empresa brasileira que ganhou impulso mesmo no momento da globalização e do aumento da concorrência internacional. A Saraiva é também hoje paradigma de uma empresa de comando familiar, com uma gestão profissionalizada e cujas ações são negociadas na bolsa de valores.
Foi capaz também de mostrar como alguém marcado por dificuldades na infância, decorrentes da perda precoce do pai, pode moldar-se para uma carreira brilhante. Formado em Administração de Empresas, com mestrado pela Fundação Getulio Vargas, juntou à sua vida dedicada ao trabalho uma certa vocação para a boemia, o temperamento forte e uma franqueza para falar dos assuntos mais difíceis que dão ao seu relato a vivacidade e a emoção de quem lê um verdadeiro romance.