O historiador J.B. Descamps conta que o artista Rembrandt van Rijn amou três coisas na vida: a arte, a liberdade e o dinheiro. No entanto, o seu desapego às normas de conduta cortesã e às instituições que aproximavam os artistas da nobreza fez com que muitos, por muito tempo, interpretassem seu trabalho como obra de um gênio romântico: rebelde, isolado e irredutível e devotado apenas à sua criação.
Neste livro, a historiadora Svetlana Alpers nos mostra que não era bem assim. Baseando-se nas últimas pesquisas sobre a autoria dos quadros do artista, ela descobre que o mestre teve dezenas de discípulos, que seu modo de pintar e escolher os temas era popular e copiado e que sua liberdade e sua idiossincrasia criativa estavam amparadas em uma nova forma de organizar e financiar a produção artística.
A partir da obra de um dos maiores artistas do século XVII, que também sabia vender seus quadros como mercadoria, Alpers narra com erudição e simplicidade o nascimento do mercado da arte.