A Arbitragem, como meio voluntário de resolução de litígios privados, baseada em parâmetros e valores não muito diferentes dos que conhecemos hoje, tem muitos séculos de história.É mais antiga do que a justiça administrada por tribunais judiciais dotados com a forma jurisdicional e os procedimentos que hoje os caracterizam.Este facto justifica, só por si, amplamente, a conclusão de que a Arbitragem e o Direito Arbitral devem ser considerados autonomamente dos tribunais judiciais e do processo civil. Trata-se de realidades diferentes que obedecem a diferentes princípios e métodos.A importância da Arbitragem tem sofrido variações ao longo dos muitos séculos da sua história, desde a Grécia antiga.Ora foi utilizada como principal meio de resolução de litígios, ora foi relegada para um plano de menor significado.Fruto das necessidades próprias do comércio, sobretudo do comércio internacional, readquiriu, porém, rincipalmente após a Segunda Grande Guerra, uma posição importante, igualmente na resolução de litígios do comércio interno.A globalização, no campo da arbitragem internacional, por um lado, e a necessidade de descomprimir a actividade dos tribunais no plano interno, por outro lado, perspectivam à arbitragem uma importância no futuro que jamais conheceu na sua longa história.As sociedades actuais são caracterizadas por um muito maior acesso das pessoas a um vasto número de bens do que se conhecia no passado. A actividade económica tornou-se mais complexa e sofisticada nas suas múltiplas formas.A consequência imediata de tudo isto mostrou a incapacidade da justiça organizada e administrada pelo Estado para acompanhar as necessidades sociais de resolução dos litígios emergentes.