Dois dias antes da chegada do furacão Katrina à cidade de Nova Orleans, Kathy Zeitoun se despediu do marido e partiu com os quatro filhos para o interior de Louisiana, conforme recomendavam as autoridades locais. Abdulrahman Zeitoun, um sírio-americano de meia-idade e dono de uma das empresas de reforma e pintura mais respeitadas na cidade, decidiu enfrentar a tormenta em casa: "Não vai acontecer nada. As pessoas estão fazendo drama à toa", disse à mulher.
Mas, na noite de 29 de agosto de 2005, ao presenciar os ventos de mais de 200 km/h e a chuva torrencial que atingiam a cidade, Zeitoun foi obrigado a redimensionar a ideia que fazia do furacão. Silenciosamente, o lugar foi se transformando em uma extensão do lago Pontchartrain, ao norte de Nova Orleans, cujos diques de contenção haviam se rom-pido. No dia 30, a cidade estava coberta por quatro metros de água.