Benjamin Moser soube encadear numa narrativa envolvente trechos de textos de Clarice, de seus contemporâneos, depoimentos e documentos inéditos. Postas lado a lado, duas citações já conhecidas muitas vezes ganham um novo e inesperado sentido. Revelam-se, assim, aspectos desconhecidos da vida da escritora. A cada capítulo o narrador se volta para o livro que Clarice estava escrevendo ou publicando naquele momento, o que faz da biografia também um guia de leitura, uma porta de entrada para o universo clariciano.
A tarefa que Benjamin Moser impôs a si mesmo foi a de humanizar o “monstro sagrado”. Assim, atitudes que muitas vezes poderiam soar como excentricidade de artista se explicam, nas palavras de Moser, pelas situações que ela viveu não “como um mito”, mas “como pessoa” – mulher, mãe, dona de casa ou escritora, num país ainda machista, pouco afeito à leitura e instável politicamente.