Após o sucesso de público e crítica de seu livro de estréia O dia em que matei meu pai - com traduções para o francês, inglês, italiano, espanhol, romeno, holandês e coreano -, e da incursão no universo dos contos com O antinarciso (prêmio Clarice Lispector da Biblioteca Nacional), Mario Sabino retorna ao romance com O vício do amor. Uma narrativa declaradamente cosmopolita, que une cultura erudita a situações cotidianas. Narrado em primeira pessoa e dividido em três partes, é um livro sobre ruínas, escrito entre ruínas.
As físicas estão em Roma, cidade onde o narrador revisita seu passado sentimental. As principais, feitas de memórias e povoadas por mulheres que partilham o mesmo código de ausência, fraqueza e traição. Na primeira parte, o protagonista, propositalmente sem nome, escreve um artigo sobre a natureza do trabalho para uma revista literária. Nele, refuta qualquer senso de moralidade neste universo, ridicularizando Weber e Marx, cujos conceitos sobre a dignificação do homem pelo batente, vê como uma forma de disfarçar a miséria existencial de patrões e empregados.
Inconstante, esse antiherói força o leitor a questionar tudo o que diz. Na segunda parte, descobrimos que o artigo é recusado, mas ele continua a escrevê-lo. O texto se transforma num romance, quase uma autobiografia. Nela, revela o quanto o comportamento odioso da mãe o influenciou, como falhou em amar todas as mulheres que passaram por sua vida. Fala, ainda, do desprezo pela carreira de jornalista, a insegurança quanto ao próprio talento e a temporada em Roma.
É lá que conhece Lorenza, uma psicóloga com quem mantém um relacionamento. E também Saulo, um carismático dândi, que resolve transformá-lo num personagem de seu livro de estréia, O vício do amor. Sua justificativa é precisar de uma trama banal. Para conhecer mais de nosso herói, Saulo tem um caso com Lorenza, que lhe revela o conteúdo das sessões e é processada por comportamento antiético. Saulo então parece sumir. Ou seria mais um truque deste narrador não confiável?