Quando era bem pequena, minha avó rabiscou um peixinho no chão do nosso quintal de terra. Gostei tanto que desenhei também e nunca mais parei. De lá para cá foram muitos peixes. Além do quintal, também as paredes das tulhas e o terreiro onde meu pai espalhava café enchiam-se de garatujas.
E era divertido usar, no lugar do lápis, o carvão retirado do fogão a lenha. Lembro que os meus rabiscos sempre tentavam contar histórias.
Aprendi a ler com meu avô. Os livros lá de casa eram, em sua maioria, escritos em japonês e conheci também alguns ehons, livros com ilustração. E acho que foi a partir desses livros que nasceu o meu desejo de escrever e ilustrar. Na época, nem sabia que existia essa profissão, apenas sonhava um dia trabalhar com desenhos.
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