Stendhal, pseudônimo de Henri-Marie Beyle (Grenoble, 1783--Paris, 1842), nasceu numa família da alta burguesia de Grenoble, cidade onde viveu até os 16 anos. Aos sete, perde sua mãe e distancia-se cada vez mais do pai, advogado do parlamento provincial, a quem com o tempo passa a odiar, assim como à sua cidade natal.
Seu sonho é escrever comédias e folhetins em Paris. Em 1799, parte para a capital francesa sob pretexto de prestar exames para a Escola Politécnica. No entanto, como Napoleão acaba de tomar o poder, prefere ingressar na carreira militar e parte para a Itália no exército napoleônico.
Em 1806, consegue um posto na administração imperial francesa graças a seu primo Pierre Daru, passando períodos em Paris, e participando de missões na Alemanha, Rússia e Itália.
Com a queda de Napoleão, Beyle muda-se para Milão em 1814, onde dá início a sua carreira literária. Publica Vida de Haydn, História da pintura e Roma, Nápoles e Florença em 1817, a primeira obra a assinar com o pseudônimo de Stendhal.
Expulso de Milão pelo governo austríaco por suspeita de espionagem, volta a Paris em 1821 e publica no ano seguinte Do amor, inspirado em suas experiências sentimentais italianas.
Entra então no meio literário, participando ativamente da querela dos românticos, publica diários de viagens, ensaios sobre música e literatura, dos quais se destaca Vida de Rossini (1823).
Seu primeiro romance, Armance, data de 1827, e três anos mais tarde surge sua primeira obra de sucesso, um dos marcos do início da literatura realista na França: O vermelho e o negro. A cartuxa de Parma, de 1839, é o último de seus romances acabados. Além das Crônicas italianas, de novelas, ensaios sobre música e arte e obras autobiográficas, como A vida de Henri Brulard (publicado postumamente em 1890), Stendhal ainda deixa dois romances inacabados Lucien Leuwen e Lamiel.