Charles M. Schulz (1922-2000) nasceu em St. Paul, Minnesota (norte dos EUA), no dia 26 de novembro de 1922, mas se criou em Saint Paul, uma cidade vizinha. Sua fascinação pelos quadrinhos começou cedo, quando, com seu pai, lia as tiras e suplementos dominicais coloridos de quatro diferentes jornais. Incentivado pelos pais, fez um curso por correspondência, das que são hoje as Escolas de Instrução em Artes, em Minneapolis.
Em 1943, passou a integrar o Exército dos Estados Unidos e acabou servindo como sargento na Segunda Guerra Mundial. Após ser dispensado da unidade militar, em 1945, Schulz retornou para Minneapolis, onde foi trabalhar como professor em uma escola de artes. A primeira série de quadrinhos regular de Schulz foi batizada "Li'l Folks". Publicada de 1947 a 1950 no jornal "St. Paul Pioneer Press", ela trazia tiras e gags de humor. Nela havia ainda um cachorro muito parecido com Snoopy e Schulz nomeava diferentes personagens com o nome de Charlie Brown.
Em 1950, depois de muitas recusas, tomou um trem para Nova York e, levando seus melhores trabalhos de "Li'l Folks", teve uma reunião com o United Feature Syndicate, que o contratou. Sua primeira nova tira, que debutava o garoto Charlie Brown tal como o conhecemos, saiu no dia 2 de outubro daquele ano, em sete jornais. Os distribuidores dos quadrinhos batizaram a turma de "Peanuts" ("Amendoins"), que tinha muita inspiração na série "Li'l Folks". Conta a história que Charles Schulz não gostou muito desse nome, mas acabou se acostumando com ele.
As histórias com o cachorro Snoopy, o angustiado Charlie Brown, o passarinho Woodstock e a espevitada Lucy, além do pianista prodígio Schroeder, no entanto, só começaram a ganhar atenção na década de 60.
Seus personagens eram crianças com vocabulário e uma forma de tratar os problemas próprios de adultos, numa época de crescimento social e muita agitação política. Schulz dizia que só queria divertir e mostrar aos adultos o quanto era difícil para uma criança crescer. "Ser criança não é fácil. Ir para a escola todo dia não é fácil. A maioria dos adultos se esquece dessas lutas e ignora os pequenos problemas que as crianças têm", afirmou uma vez. Schulz dizia que não desenhava "Peanuts" para crianças. Em 1977, ao ser indagado sobre o fato de desenvolver tiras tendo crianças como protagonistas, mas que atraiam leitores adultos, ele respondeu: "sempre faço uma tira com adultos em mente, e, felizmente, todo mundo parece encontrar alguma coisa nela. Escrevo do ponto de vista de uma criança, o que é provavelmente um fator significante que atrai jovens leitores, mas muito dos diálogos estão fora do alcance de entendimento de uma criança pequena".
Seus primeiros prêmios vieram 15 anos depois de sua primeira tira ser publicada. Ele ganhou duas vezes, em 55 e em 64, o prêmio Reuben da Sociedade Nacional dos Cartunistas dos EUA, o mais importante do ramo no país. Em 78, foi apontado o Cartunista Internacional do Ano no Canadá. Os especiais de TV com os personagens de Peanuts ganharam vários Emmy, o prêmio máximo da televisão norte-americana.
Suas tiras ganharam as páginas de jornais e revistas do mundo inteiro e se tornaram as mais distribuídas de toda a história, com aparições em 2.600 jornais e em 21 línguas. Estima-se que tenham tido um público de 335 milhões de leitores.
Na última tira inédita diária de Snoopy, publicada em 13 de fevereiro de 2000, Snoopy aparece sentado sobre sua casinha com uma máquina de escrever, ladeado pelo texto de despedida de Schulz, que abandonaria o desenho para tratar um câncer. Schulz morreu um dia antes da tira ter saído, aos 77 anos, enquanto dormia em sua casa na Califórnia, na costa oeste dos EUA.
"Eu tive a felicidade de desenhar Charlie Brown e seus amigos por quase 50 anos. Consegui a realização de meu desejo de infância. Infelizmente, não conseguirei suprir a demanda de uma tira diária por mais tempo. Minha família não deseja que "Peanuts" seja continuado por outras pessoas, então anuncio minha retirada. Sou grato por todos esses anos pela lealdade de nossos editores e pelo maravilhoso apoio e amor expressados a mim pelos fãs das minhas tirinhas. Charlie Brown, Snoopy, Lino, Lucy... como poderei esquecê-los...", escreveu Schulz.